Disputa por escola em Realengo ainda divide opiniões

Comunidade pleiteava ensino técnico em prédio cívico-militar

Por Sub Oliveira

Fachada de um prédio escolar antigo de cor clara e detalhes em azul, com grades de proteção e arame farpado. À frente, um poste de luz com muitos fios e um entregador em uma motocicleta passando pela rua General Sezefredo.


A destinação do antigo prédio do Colégio Souza Lima, em Realengo, tornou-se o centro de um intenso embate social na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Enquanto o Governo do Estado executa a implantação da 17ª unidade cívico-militar da rede fluminense, uma parcela expressiva da comunidade local reivindica que o espaço seja utilizado para a criação de uma unidade técnica da FAETEC.

O projeto é conduzido pela Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC-RJ) e tem conclusão prevista para dezembro de 2025. A decisão governamental fundamenta-se no Decreto Estadual nº 48.003/2022, que permite a manutenção do modelo técnico-cívico-militar no Rio de Janeiro, mesmo após o encerramento do programa federal similar em 2023.

Pelo Estado, o modelo é defendido como uma ferramenta de segurança preventiva e reforço da disciplina. Em contrapartida, por lideranças comunitárias e educadores, é argumentado que a prioridade da região deveria ser a formação profissionalizante, visando combater os altos índices de desemprego juvenil que assolam a Zona Oeste.

Detalhes do processo de desapropriação

O imóvel, situado na Rua General Sezefredo, foi declarado de utilidade pública em março de 2022. Pela Justiça, foi fixada uma indenização de R$ 4,7 milhões ao antigo proprietário, valor este que já foi depositado judicialmente. O processo administrativo (nº 170041/000249/2021) seguiu o rito de regularização para que o Estado pudesse retomar a estrutura, que estava desativada há anos.

Durante audiências públicas realizadas em 2024, propostas alternativas foram apresentadas. Pelos movimentos sociais, foi enfatizada a carência de cursos técnicos que conectem os jovens ao mercado de trabalho imediato. Por outro lado, a presença de militares da reserva da PMERJ e do CBMERJ na gestão disciplinar é vista por alguns pais como uma solução para a evasão escolar e a violência no entorno da unidade.

Estrutura pedagógica e administrativa

A gestão da unidade será compartilhada. Enquanto o corpo docente e o conteúdo pedagógico são mantidos sob responsabilidade da SEEDUC-RJ, a parte administrativa e disciplinar será gerida por militares da reserva. Espera-se que, com essa configuração, a "formação cidadã" seja potencializada, conforme nota emitida pela secretaria.

Críticos ao modelo, como o professor de sociologia Rogério Ferreira, questionam se a "doutrinação militar" é mais eficaz que a capacitação técnica em uma região com mais de 2 milhões de habitantes. Para este grupo, a autonomia pedagógica pode ser restringida pelo rigor militar, prejudicando o pensamento crítico dos estudantes.

Próximos passos e transparência

O cronograma de obras é monitorado pelo portal de transparência do Estado. Pelos moradores, são cobrados relatórios mais detalhados sobre o impacto social da escola. O início das atividades letivas está agendado para o primeiro semestre de 2026.

Este embate em Realengo é visto como um microcosmo da educação brasileira atual: o confronto entre o desejo por ordem institucional e a demanda por ferramentas práticas de ascensão socioeconômica.

E você leitor, o que acha desse assunto? deixe o seu comentário! Prefere uma escola técnica ou um colégio cívico-militar?

Postar um comentário

Sua opinião sobre o assunto e seus comentários são importantes para o aperfeiçoamento de nosso trabalho e a perfeita visão do que acontece em nossa Zona Oeste.

Postagem Anterior Próxima Postagem
Campanha de Adoção de Pets

📩 Receba as notícias do Visão Oeste Rio

Assinar agora

Formulário de contato