Mitologia Afro-Brasileira combate violência de gênero em peça

Dica Cultural: Espetáculo "O Grito de Yemanjá e a força das Marias" une arte, ancestralidade e denúncia social no Teatro Imperator

Uma mulher negra vestida como a divindade afro-brasileira Yemanjá, com um vestido azul e coroa, está sentada na areia de uma praia segurando um espelho dourado. Uma mulher branca de vestido azul claro está deitada com a cabeça em seu colo. Ao fundo, o mar azul com barcos distantes e o texto do cartaz do espetáculo "O Grito de Yemanjá e a força das Marias"
Divulgação oficial do espetáculo "O Grito de Yemanjá e a força das Marias", que une a mitologia afro-brasileira combate violência de gênero no Teatro Imperator. (Foto: Divulgação)

A mitologia afro-brasileira combate violência de gênero por meio dos palcos cariocas no próximo mês. No dia 7 de junho (domingo), às 19h, o Teatro Imperator (Centro Cultural João Nogueira), localizado no bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro, será palco para a estreia do espetáculo "O Grito de Yemanjá e a força das Marias". A produção, realizada pela Caetano Arte Produtora em parceria com a CIADRACA Produções Artísticas e a Cia Estrela e o Mar, utiliza a potência dos Orixás para denunciar o abuso doméstico, combater o racismo religioso e ecoar um manifesto urgente pelo empoderamento feminino. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site oficial da Funarj.

O Itan de Yemanjá como Espelho da Realidade

O texto e a direção, assinados coletivamente por Iasmim Caetano, Raiza Fernanda e Jotta Piedade, contam com a supervisão de direção da renomada profissional Isabella Secchin. A narrativa dramática é inspirada no tradicional Itan — narrativa mitológica iorubá — de Yemanjá. No palco, a divindade das águas transcende o aspecto puramente sagrado para se transformar na voz coletiva de milhares de mulheres contemporâneas que enfrentam o abuso cotidianamente.

A realidade da violência doméstica é colocada no centro da cena através de uma performance que amalgama teatro, música e dança. O elenco, composto por Raiza Fernanda, Iasmim Caetano e Rosemberg Rodrigues, confere densidade física e emocional à obra. Mais do que apenas relatar a dor do abuso, a montagem é desenhada como um hino de esperança e acolhimento. O objetivo principal do projeto é incentivar as vítimas a romperem o silêncio por meio dos canais de denúncia.

Cultura e Resistência contra a Intolerância

Além do manifesto em defesa dos direitos das mulheres, um papel pedagógico e político fundamental é assumido pela produção no cenário atual: o combate ao racismo religioso. Ao trazer os Orixás para o centro da cena cultural, a riqueza das tradições de matriz africana é descortinada pelo espetáculo, desmistificando preconceitos históricos que alimentam a intolerância no país.

Na ficção — que reflete diretamente a realidade das periferias e terreiros —, as divindades são retratadas em sua essência de proteção, coragem e resistência. É apresentada ao público uma lembrança de que a fé de matriz africana historicamente serviu como o principal quilombo e porto seguro para populações marginalizadas.

Estética apurada e trilha sonora autoral

A atmosfera ritualística e imersiva do espetáculo é garantida por uma equipe técnica especializada. Os pontos cantados foram compostos por Raiza Fernanda e Jotta Piedade, e a interpretação musical é realizada ao vivo pela cantora Ellyê Pedrosa. A pulsação dos tambores é comandada pelos curimbeiros Jotta Piedade, Gb Batuk e Catarina Ribas.

A identidade visual e a ambientação do espetáculo são construídas pelos figurinos de Valleska Cabral, pelo cenário de James Piedade e pelo desenho de iluminação de Rafa Ribeiro. A produção executiva é gerida por Iasmim Caetano, com o auxílio dos assistentes de produção Tina Fernandez e Carol Salvador. A cobertura de foto e vídeo é assinada por Hugo Miranda e Simone Santos, enquanto as artes gráficas foram desenvolvidas por Carlos Vinhas.

De acordo com a nota oficial divulgada pela produção do espetáculo, a obra é concebida como um convite profundo à reflexão coletiva, de modo que o público saia do teatro consciente de que a denúncia é o primeiro e mais crucial passo para a libertação feminina.

Serviço

Espetáculo: O Grito de Yemanjá e a força das Marias
Data: 7 de junho (Domingo)
Horário: 19h
Local: Teatro Imperator (Centro Cultural João Nogueira) – Rua Dias da Cruz, 170 - Méier, Rio de Janeiro - RJ
Ingressos: Vendas online através do site da Funarj

Ficha Técnica Detalhada

Texto e Direção: Iasmim Caetano, Raiza Fernanda e Jotta Piedade
Supervisão de Direção: Isabella Secchin
Elenco: Raiza Fernanda, Iasmim Caetano e Rosemberg Rodrigues
Cantora: Ellyê Pedrosa
Compositores dos Pontos: Raiza Fernanda e Jotta Piedade
Curimbeiros: Jotta Piedade, Gb Batuk e Catarina Ribas
Produtora: Caetano Arte Produtora
Co-produtora: CIADRACA Produções Artísticas
Cia: Estrela e o Mar
Produção Executiva: Iasmim Caetano
Figurino: Valleska Cabral
Iluminação: Rafa Ribeiro
Cenário: James Piedade
Foto e Vídeo: Hugo Miranda e Simone Santos
Artes Gráficas: Carlos Vinhas
Redes Sociais: Iasmim Caetano e Raiza Fernanda
Assistentes de Produção: Tina Fernandez e Carol Salvador
Assessor de imprensa: Rodrigo de Castro

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