PF investiga esquema bilionário de fraude fiscal no RJ
A Operação Sem Refino apura esquemas de fraude tributária e corrupção envolvendo a cúpula do governo fluminense e a refinaria Refit.
A Operação Sem Refino foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira, 15 de maio de 2026, tendo como um dos principais alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal bilionária articulado para beneficiar o grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos). Além de buscas na residência de Castro, na Barra da Tijuca, a Justiça determinou a prisão preventiva do empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, e o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros.
Articulação política sob suspeita
De acordo com as investigações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público, foi identificado que o ex-governador teria atuado diretamente para criar um "ambiente propício" às atividades ilícitas da refinaria. A Operação Sem Refino aponta que Cláudio Castro articulou mudanças estratégicas no primeiro escalão do governo fluminense para facilitar os interesses do grupo econômico. Entre as medidas citadas, destaca-se a nomeação de novos secretários e a troca no comando da Procuradoria-Geral do Estado para viabilizar renegociações de dívidas tributárias altamente vantajosas.
O relatório enviado ao STF detalha que a "Lei Ricardo Magro" (Lei Complementar 225/2025) teria sido desenhada sob medida para o grupo. O texto permitiu parcelamentos com descontos de até 95% em multas e juros, beneficiando centralmente a Refit, que acumula um passivo tributário estimado em mais de R$ 26 bilhões apenas em ICMS. A suspeita é de que o aparato estatal tenha sido utilizado como ferramenta de blindagem patrimonial e evasão de divisas.
Medidas judiciais e alcance da operação
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. A Operação Sem Refino também contou com o apoio técnico da Receita Federal para desarticular a estrutura societária complexa utilizada para a dissimulação de bens.
O empresário Ricardo Magro, considerado a "mente pensante" do conglomerado, teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, uma vez que se encontra fora do país. A decisão do ministro Alexandre de Moraes ressalta a existência de um "amálgama do crime" entre agentes públicos e o setor privado, visando a perpetuação de fraudes no setor de combustíveis, um dos pilares da economia fluminense.
Defesa e desdobramentos
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro afirmou que o ex-governador recebeu a notícia da Operação Sem Refino com surpresa, mas que se mantém à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários. Seus advogados reiteraram que Castro colaborou integralmente com os agentes federais durante as buscas e que confia na demonstração de sua inocência ao longo do processo.
A refinaria Refit, por meio de seus representantes legais, ainda não se manifestou detalhadamente sobre as acusações de fraude fiscal e ocultação patrimonial. O caso segue sob sigilo de justiça em determinadas frentes, mas os desdobramentos políticos na capital fluminense são imediatos, dado o peso das figuras envolvidas e o montante financeiro bloqueado pela União.