Moradores e ambientalistas denunciam emissão contínua de resíduos industriais pela siderúrgica na Zona Oeste do Rio
A recorrente poluição da Ternium voltou a ser o centro de intensos debates e manifestações em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, durante o primeiro semestre de 2026. A siderúrgica, que é uma das maiores da América Latina, tem sido alvo de denúncias persistentes por parte de moradores locais e coletivos socioambientais devido à emissão de "chuva de prata" — um pó grafite prateado que se deposita sobre residências e vegetação. O caso, que se arrasta há anos, é acompanhado de perto por órgãos fiscalizadores que buscam mitigar os danos à Saúde Pública.
O Impacto no Cotidiano da Comunidade
Desde a sua instalação, ainda como CSA, a planta industrial tem sido apontada como a principal fonte de degradação da qualidade do ar na região. Relatos colhidos por redes sociais e movimentos sociais indicam que a poluição da Ternium foi intensificada nos últimos meses, resultando em um aumento visível de problemas respiratórios e dermatológicos na população de Santa Cruz e arredores.
O material particulado, subproduto do processo de produção de aço, é carregado pelos ventos e invade o interior das casas. Segundo representantes do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), vistorias técnicas têm sido realizadas periodicamente para verificar se os filtros e sistemas de contenção da empresa estão operando conforme as normas de Licenciamento Ambiental.
Histórico de Infrações e Medidas Judiciais
A trajetória da empresa em solo carioca é marcada por multas severas e Termos de Ajustamento de Conduta (TAC). Em episódios anteriores, a poluição da Ternium foi objeto de ações civis públicas movidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Foi exigido que a siderúrgica investisse em tecnologias de monitoramento em tempo real e na cobertura de pátios de matérias-primas para evitar a dispersão de resíduos.
No entanto, para os membros do Coletivo Santa Cruz Combate a Poluição, as medidas adotadas até agora são consideradas paliativas. Alega-se que o lucro da produção de aço tem sido priorizado em detrimento da Sustentabilidade e da vida dos cidadãos. A empresa, em comunicados oficiais, afirma estar em conformidade com as leis vigentes e que investe continuamente em melhorias operacionais, mas a poeira metálica que brilha sob o sol de Santa Cruz conta uma história diferente para quem vive na região.
Perspectivas Futuras e Vigilância Popular
O futuro da convivência entre a zona industrial e a área urbana de Santa Cruz depende de uma fiscalização mais rígida e da transparência nos dados de emissões. A poluição da Ternium continuará sendo monitorada por grupos de direitos humanos que buscam a reparação histórica para os pescadores da Baía de Sepetiba e famílias afetadas. A expectativa é que novas audiências públicas sejam convocadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) para discutir a renovação das licenças de operação da planta, em um cenário onde a preservação do Meio Ambiente não pode mais ser tratada como um fator secundário.