WG da Rua e o Projeto Cultura na Cesta unem Basquete e Poesia em Santa Cruz

Iniciativa social na Zona Oeste do Rio transforma a vida de jovens através da educação e do esporte freestyle

TBT# VISÃO OESTE RIO/ IDENTIDADE CULTURAL

Por Rodrigo Castro I Wanderson Geremias,WG da Rua I 26 Jul 2017

identidade cultural de jovens da Zona Oeste do Rio de Janeiro é fortalecida pelo projeto Cultura na Cesta, idealizado por Wanderson Geremias, o WG da Rua. A iniciativa, que teve início em 2005 na comunidade do Cesarão, em Santa Cruz, utiliza a prática do basquete freestyle aliada à literatura para combater a evasão escolar e promover a inclusão social. O projeto foi destaque em entrevista conduzida por Valleska Cabral, onde o professor detalhou como a união entre a bola e a caneta tem sido um instrumento de transformação para crianças e adolescentes.

A Origem do WG da Rua e o Salto para o Social

A trajetória de Wanderson Geremias é marcada pela superação. Após a perda dos pais e a mudança para o conjunto habitacional Cesarão, o esporte foi o "anjo salvador" que surgiu em sua vida por meio de figuras como Paulo Adão. O apelido WG da Rua foi consolidado nas quadras, onde a rapidez do jogo exigia nomes curtos.

O que começou como uma carreira de atleta e professor de educação física, transformou-se em missão social em 2005. Ao perceber que muitos de seus alunos, apesar de habilidosos no basquete, não sabiam ler ou escrever aos 14 anos, WG decidiu intervir. Foi identificada a necessidade de integrar o reforço escolar de forma atrativa, surgindo assim a parceria com a poetisa Vânia Moraes.

O Ponto da Palavra: Onde o Basquete Encontra a Poesia

O método inovador do Cultura na Cesta é batizado de "Ponto da Palavra". Nele, os alunos são incentivados a declamar textos e produzir suas próprias poesias enquanto executam movimentos de basquete freestyle. A técnica foi desenvolvida para elevar a autoestima dos jovens de periferia, que muitas vezes enfrentam o "mito da caverna" — uma metáfora citada por WG para descrever a limitação de visão imposta pelo isolamento social e pela falta de acesso à cultura.

"A bola representa o esporte e a caneta representa a educação. Quando giramos a bola sobre a caneta, mostramos que essa mistura é capaz de abrir portas para o mundo", explicou o professor durante a demonstração do símbolo do projeto.


Reconhecimento e Legado Olímpico

A visibilidade da iniciativa alcançou patamares nacionais com participações em programas como o Esquenta e Caldeirão do Huck. No entanto, o WG da Rua ressalta que o maior apoio vem da própria comunidade, dos pais e de voluntários, uma vez que o projeto ainda busca um patrocínio master para expandir suas atividades.

Sobre o legado da Rio 2016, Wanderson aponta que, embora o transporte tenha sido um foco, a base do esporte e a infraestrutura nas escolas da Zona Oeste foram negligenciadas. Em resposta a essa lacuna, o projeto criou o Festival Cultura na Rua, que em 2026 e nos anos anteriores, conectou artistas de diversos estados e países, como Uruguai e Argentina, consolidando uma rede internacional de basquete educativo.

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