Aeronave militar lança milhares de litros de água na floresta amazônica para conter avanço do fogo durante seca extrema no estado.
A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou a operação inédita com o uso do KC-390 no Amazonas para combater focos de incêndio florestal que avançam sobre o território amazonense durante a atual crise de estiagem severa. O emprego operacional do vetor militar de transporte tático ocorreu a partir da Base Aérea de Manaus, localizada no município de Manaus, capital do estado do Amazonas. A iniciativa integra as ações conjuntas do Governo Federal para conter o avanço das queimadas na Região Norte e conta com apoio direto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A mobilização das forças armadas responde ao agravamento das queimadas florestais na Bacia Amazônica. O uso da tecnologia de precisão acoplada ao sistema modular de combate a incêndios instalado na aeronave permite a realização de lançamentos d'água volumosos e contínuos sobre áreas de difícil acesso terrestre, reforçando o trabalho exercido pelas brigadas em solo.
Sistema MAFFS II garante precisão nos lançamentos sobre a vegetação
O emprego do KC-390 no Amazonas marca um ponto de virada na logística operacional do combate a incêndios na Região Norte do país. Fabricado pela Embraer, o cargueiro multimissão utiliza o sistema MAFFS II (Modular Airborne FireFighting System), um equipamento capaz de disparar até 12 mil litros de água pressurizada por passagem diretamente sobre as linhas de fogo.
O comandante do 1º Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT - Esquadrão Zeus), Tenente-Coronel Aviador Bruno Amorim, destacou o valor operacional da missão e a exatidão das manobras executadas pela tripulação. "A tecnologia embarcada no KC-390 permite que o lançamento de água ocorra com extrema precisão sobre a copa das árvores, minimizando a dissipação causada pelo vento e atingindo diretamente a base dos focos quentes apontados pelos satélites e equipes em solo", afirmou o Tenente-Coronel Bruno Amorim.
Diferente de métodos tradicionais de lançamento gravítico, o MAFFS II utiliza tubos laterais projetados pela porta traseira da aeronave. Esse mecanismo projeta o líquido retardante ou a água sob pressão sem a necessidade de despressurizar o compartimento de carga, mantendo o controle térmico e a estabilidade de voo do avião militar a baixas altitudes.
Operação na Base Aérea de Manaus mobiliza esquadrões e logística militar
A estrutura das operações concentra-se na Base Aérea de Manaus (BAMN), situada na Zona Sul do município de Manaus. As equipes militares estruturaram uma linha de abastecimento contínuo para garantir a rápida rotação dos voos, reduzindo o tempo de solo entre cada surtida operacional.
Além do Esquadrão Zeus, responsável pelas missões de ataque direto ao fogo, o 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT - Esquadrão Gordo) atua na coordenação do transporte aeroterrestre de brigadistas, combustível de aviação, suprimentos médicos e equipamentos de proteção individual. Essa rede de abastecimento atende comunidades isoladas e bases de apoio de bombeiros espalhadas por municípios atingidos pela seca.
Os voos prioritários cobrem a calha do Rio Negro e a região do Médio e Baixo Amazonas, onde o fogo ameaça Unidades de Conservação e terras indígenas. A atuação do cargueiro reduz drasticamente a velocidade de propagação das chamas, permitindo que os brigadistas em solo realizem o trabalho de rescaldo com maior segurança e efetividade.
Integração federativa busca mitigar impacto da estiagem histórica no Norte
A presença do KC-390 no Amazonas insere-se em um plano amplo de contingência coordenado pelo Ministério da Defesa em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A seca prolongada, agravada pelas mudanças climáticas e por fenômenos meteorológicos que alteram a distribuição de chuvas no bioma, levou dezenas de municípios amazonenses a decretarem situação de emergência.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou a importância da atuação conjunta dos órgãos federais para conter os danos ambientais. "A integração entre o apoio logístico e aéreo das Forças Armadas e a expertise técnica dos nossos brigadistas do IBAMA e do ICMBio é fundamental para proteger a biodiversidade amazônica e mitigar os sofrimentos das populações ribeirinhas e indígenas que enfrentam o rigor dessa seca histórica", declarou a ministra Marina Silva.
As missões aéreas continuam programadas ao longo de todo o período crítico de estiagem, mantendo o monitoramento em tempo real por meio do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM). A continuidade das operações visa evitar a reativação de focos debelados e proteger a saúde pública das comunidades expostas à fumaça.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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