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Navio-Patrulha Mangaratiba reforça a segurança marítima

Marinha do Brasil incorpora novo meio naval de tecnologia nacional construído no Arsenal de Marinha para atuar na Amazônia Azul.

Por Carlos Alvarenga
visaooesterio@gmail.com

A Marinha do Brasil incorporou formalmente o Navio-Patrulha Mangaratiba (P73) à Armada Brasileira no último dia 30 de outubro, durante a cerimônia de Mostra de Armamento realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), localizado na Ilha das Cobras, bairro Centro, município e estado do Rio de Janeiro. A nova embarcação militar foi projetada e construída no mais antigo estaleiro em atividade do país para atuar sob a jurisdição do 4º Distrito Naval, com foco prioritário na fiscalização marítima e fluvial, na proteção dos recursos naturais da Margem Equatorial e da foz do Rio Amazonas, no combate a crimes transnacionais e na prestação de socorro e apoio logístico a populações ribeirinhas e comunidades isoladas da região amazônica.

A solenidade oficial marcou a transição operacional do ativo militar com a presença de altas autoridades civis e militares. O evento registrou o desembarque simbólico dos engenheiros, técnicos e metalúrgicos do AMRJ envolvidos diretamente na construção da estrutura naval, antecedendo o embarque imediato da primeira tripulação designada para assumir a custódia do navio. Na sequência, os oficiais e praças realizaram o primeiro cerimonial à bandeira a bordo da unidade e descerraram a placa comemorativa da incorporação do meio naval à frota operativa da Força Naval brasileira.

O Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, enfatizou durante o ato a relevância estratégica da conclusão da obra para a modernização das Forças Armadas e para o desenvolvimento científico da indústria nacional de defesa.

"Cada navio incorporado ao setor operativo representa não apenas um vetor adicional à disposição do Estado, mas também conhecimento acumulado, competência tecnológica e mobilização de uma base industrial de defesa cada vez mais robusta e imprescindível para a autonomia e o progresso do País", declarou o Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa.

A Secretária-Geral do Ministério da Defesa e madrinha de batismo da embarcação, Cinara Wagner Fredo, destacou o papel de liderança do estaleiro público na manutenção do poder militar marítimo e na defesa dos ativos energéticos e ambientais situados nas águas jurisdicionais do Brasil.

"Ele representa não só a importância e a capacidade da indústria naval brasileira, como também a capacidade de cuidar e proteger os nossos interesses nacionais", afirmou a Secretária-Geral Cinara Wagner Fredo.

Autonomia tecnológica e comunicação por satélite na Margem Equatorial

O Navio-Patrulha Mangaratiba destaca-se pela integração de sistemas aviônicos e computacionais projetados por centros de pesquisa militar brasileiros, eliminando a dependência de plataformas proprietárias estrangeiras para a gestão de combate e vigilância regional. O grande diferencial tático da embarcação reside no Sistema de Comando e Controle Georreferenciado (SisC2Geo), plataforma desenvolvida por pesquisadores e engenheiros do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM).

O SisC2Geo atua como o cérebro operacional do navio ao processar e fundir, em tempo real, dados cartográficos digitais e informações telemétricas provenientes de radares de navegação, sensores eletro-ópticos, sistemas de identificação automática e armamentos de bordo. Essa arquitetura de dados permite aos comandantes e operadores de consolas de bordo acompanhar visualmente a evolução da cena tática circundante com alto grau de precisão, acelerando o ciclo de tomada de decisão em cenários de interceptação marítima ou busca e salvamento em alto-mar.

Para superar os desafios impostos pelas imensas distâncias geográficas e pela baixa cobertura de redes de telecomunicações convencionais na região amazônica, a Marinha do Brasil equipou o Mangaratiba com o Sistema de Comunicação por Satélite em Banda X. Esta tecnologia de transmissão militar criptografada assegura conexões de alta velocidade, estáveis e imunes a interferências externas entre a embarcação no mar e os centros de comando em terra ou escalões superiores das Forças Armadas.

A capacidade de comunicação remota em Banda X garante que os relatórios de patrulha e as imagens de satélite sejam transmitidos de maneira imediata ao comando do 4º Distrito Naval. Esse recurso tático aprimora drasticamente o tempo de resposta das equipes de interceptação contra embarcações não autorizadas, garimpo ilegal, caça predatória e tráfico ilícito ao longo do arco fronteiriço e da plataforma continental brasileira.

Pronapa e investimentos do Novo PAC reestruturam a indústria naval militar

A entrega da embarcação P73 consolida o Mangaratiba como a quarta unidade finalizada da Classe Macaé, consolidando um ciclo de recuperação de conhecimento de engenharia naval e preservação de competências fabris no país. O projeto arquitetônico das embarcações dessa classe fundamenta-se no projeto francês da Classe Vigneron, porém substancialmente adaptado e modernizado para atender às particularidades hidrográficas, climáticas e operacionais das águas tropicais brasileiras.

O empreendimento industrial faz parte integrante do Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), plano estratégico do Ministério da Defesa que estabelece a aquisição e o comissionamento de 11 navios de patrulha para cobrir a extensa faixa costeira denominada Amazônia Azul. O cronograma do Pronapa prevê que a próxima embarcação da série, o Navio-Patrulha Miramar (P74), atualmente em estágio avançado de montagem estrutural no AMRJ, seja lançado ao mar até o ano de 2028, sendo seguido posteriormente pela construção do Navio-Patrulha Magé.

Os canteiros de obras e oficinas especializadas do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro receberam aportes financeiros vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal. Os recursos destinados ao Pronapa financiaram a readequação de diques secos, a aquisição de maquinário industrial de corte e solda robotizada e a modernização de laboratórios de manutenção eletroeletrônica da instituição centenária.

As atividades contínuas de fabricação e integração do Mangaratiba e do Miramar mobilizam de forma direta e indireta um contingente estimado em 250 profissionais altamente especializados, reunindo militares da Marinha e trabalhadores da cadeia de fornecedores da Base Industrial de Defesa. A manutenção dessa infraestrutura fabril no Rio de Janeiro retém talentos da engenharia naval nacional, gera empregos qualificados no setor metalmecânico e garante que a manutenção pesada da frota militar continue sendo executada integralmente em território brasileiro.

Ficha Técnica: Navio-Patrulha Mangaratiba (P73)

-  Comprimento Total: 54,2 metros

-  Boca Máxima: 8 metros

-  Calado de Navegação: 2,5 metros

-  Deslocamento Carregado: 500 toneladas

-  Velocidade Máxima: 21 nós (aproximadamente 39 km/h)

-  Raio de Ação / Autonomia: 2.500 milhas náuticas a 15 nós (10 dias no mar)

-  Propulsão: 2 motores diesel de alta performance

-  Armamento Principal: 1 canhão de 40 mm e 2 metralhadoras de 20 mm

-  Capacidade de Tropa / Tripulação: 35 militares

-  Sistemas Embarcados: SisC2Geo (IPqM) e Comunicação Satelital em Banda X

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