Juiz declara que Polícia Civil do Rio esconde do Judiciário imagens de operações onde há mortes
Exumação
do corpo de Ewerton Luiz da Cruz Neves, no cemitério de Santa Cruz.
Ele foi um dos cinco mortos na operação da Polícia Civil
O
juiz Fábio Uchôa, da 1ª Vara Criminal da Capital, criticou ontem a
Polícia Civil por esconder do Judiciário, nas palavras dele, vídeos
produzidos em operações policiais. Responsável por autorizar a exumação
feita ontem nos corpos de dois mortos na Favela do Rola, em Santa Cruz,
na Zona Oeste, o juiz só viu o vídeo da operação no Extra Online. As
imagens mostram corpos sendo removidos do local das mortes.
—
Se as operações são filmadas, por que a polícia esconde essas imagens
do Judiciário? Elas poderiam acompanhar inquéritos de autos de
resistência — disse o magistrado.
Ele lamenta a motivação do vazamento das imagens, atribuída pela própria polícia a uma briga interna:
— Se não fosse isso, seria mais um dos procedimentos que vão para o arquivo sob a suposta legalidade de atuação da polícia.
Um dos corpos é carregado pelos policiais num lençol vermelho
Em
nota, a Polícia Civil disse que as imagens eram utilizadas para
análise e aprimoramento das ações. Desde a chegada da aeronave à
instituição, em 2010, não havia protocolo para utilização das imagens
coletadas nas operações. De acordo com a nota, em 13 de maio, dois dias
após o EXTRA divulgar o vídeo, a delegada Martha Rocha, chefe da
Polícia Civil, anunciou a criação de uma comissão que vai estabelecer
protocolos e diretrizes para a captação de imagens. O conselho será
composto por membros da Subchefia Operacional e outros departamentos da
instituição.
Policiais filmaram operação na Favela do Rola, em 16 de agosto de 2012
A diarista Marli da Cruz, mãe de Ewerton, disse não ter sido informada da exumação:
— Só fiquei sabendo pela imprensa. Até agora, ninguém entrou em contato comigo. A polícia não me procurou em momento algum.
Marli afirmou não ter visto o vídeo da operação.
—
Preferi não ver. Até hoje, não me recuperei. Nunca pensei que fosse
passar por uma situação dessas. O meu filho estava sempre na minha
casa... Ele tinha acabado de fazer 23 anos, era casado e tinha uma filha
pequena, que fará 2 anos agora em julho — contou ela.
Fonte: Jornal Extra