Ação conjunta da Polícia Civil e Secretaria de Administração Penitenciária desarticula rede criminosa de entrada de ilícitos em presídio fluminense
Um esquema de corrupção em Bangu 7 foi desmantelado na manhã de segunda-feira, 3 de agosto de 2026, por meio de uma ação conjunta realizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. A ofensiva tática foi desencadeada para o cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça do Rio de Janeiro.
O principal alvo da Operação Policial, o policial penal Wagner Jardim Dias, foi preso em sua residência, localizada no bairro de Pendotiba, no município de Niterói, na Região Metropolitana.
A investigação que culminou na ação ostensiva teve início após a interceptação de uma tentativa de entrada de materiais proibidos na Penitenciária Nelson Hungria, conhecida como Bangu 7, situada no Complexo Penitenciário de Gericinó, no bairro de Bangu, na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro.
Segundo os relatórios elaborados pelos investigadores da Polícia Civil, o ingresso das substâncias entorpecentes e dos equipamentos eletrônicos era facilitado por agentes públicos que realizavam apenas vistorias superficiais na entrada da unidade prisional. O material seria destinado a lideranças de facções criminosas custodiadas no sistema penitenciário.
Análises de movimentações financeiras realizadas pelo setor de inteligência revelaram que um dos investigados movimentou mais de R$ 259 mil em transações bancárias suspeitas e sem comprovação de origem lícita.
O material apreendido durante as buscas na manhã desta segunda-feira foi encaminhado para a sede da especializada, na Cidade da Polícia, no bairro do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. As investigações prosseguem para mapear outros integrantes e detalhar a estrutura financeira da organização criminosa.
A recorrente exposição de esquemas de corrupção e falhas operacionais no sistema penitenciário brasileiro expõe uma ferida aberta que vai muito além das muralhas dos presídios. Discutir a fundo a realidade das unidades prisionais deixou de ser uma pauta restrita ao direito penal e tornou-se uma urgência de segurança pública e direitos humanos. Quando o Estado perde o controle efetivo sobre o cumprimento das penas, transformando cadeias em escritórios do crime organizado e em centros de reprodução da violência, toda a sociedade paga o preço nas ruas. Debater reformas estruturais, fiscalização severa e a valorização com rigor ético das carreiras policiais penais é o único caminho para interromper o ciclo em que o próprio sistema prisional retroalimenta a criminalidade que deveria combater.
Suboficial da Aeronáutica | Especialista em Manutenção de Aeronaves | PARA-SAR (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento), a unidade de forças especiais da Aeronáutica | Licenciado em MatemáticaVoltar