O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi escolhido para chefiar o Parlamento fluminense após a cassação de Rodrigo Bacellar pelo TSE; votação ocorreu sob boicote da oposição.
Por Carlos Alvarenga
A presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) foi assumida oficialmente pelo deputado Douglas Ruas (PL) nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026. A eleição, realizada em sessão extraordinária, foi marcada pela consolidação da base governista e pela ausência em massa de parlamentares da oposição. Ruas obteve 44 votos favoráveis, garantindo a sucessão definitiva de um cargo que vinha sendo ocupado interinamente por Guilherme Delaroli (PL).
O desfecho da "Saga" de sucessão
A vacância no comando do Legislativo foi provocada por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que resultou na cassação do mandato e no afastamento do então presidente, Rodrigo Bacellar (União). O imbróglio jurídico-político, que ficou conhecido nos bastidores como a "Saga da ALERJ", teve origem em investigações sobre o uso de cargos na CEPERJ durante o período eleitoral.
Com a queda de Bacellar e a subsequente cassação do governador Cláudio Castro (PL) pelo TSE, a estrutura de poder no Rio de Janeiro sofreu um efeito dominó. Douglas Ruas, ao ser eleito presidente da ALERJ, passa a ocupar também o posto de primeiro na linha sucessória para o Governo do Estado, visto que o cargo de vice-governador já se encontrava vago após a renúncia de Thiago Pampolha em 2025.
Dinâmica da votação e boicote
A sessão de votação foi caracterizada por um clima de tensão institucional. Uma candidatura alternativa, encabeçada pelo deputado Vitor Junior (PDT), chegou a ser articulada por grupos ligados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), mas foi retirada na véspera do pleito. A desistência ocorreu após o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) determinar que a votação deveria ser aberta e nominal, o que enfraqueceu as chances de uma dissidência silenciosa na base governista.
Como forma de protesto, 25 deputados se ausentaram do plenário, acompanhando o rito apenas das galerias. O argumento utilizado pela ala opositora foi o de que o processo estaria sendo "atropelado" sem o devido debate sobre a retotalização de votos necessária após as cassações determinadas pela Justiça Eleitoral.
Perfil do novo presidente
Douglas Ruas, de 37 anos, é visto como um aliado estratégico da família Bolsonaro e braço direito do governador afastado. Antes de assumir a cadeira na ALERJ, Ruas ocupou cargos de relevância na gestão estadual, como a Secretaria de Cidades. Em seu discurso de posse, foi enfatizado pelo parlamentar que o foco da nova gestão será a "pacificação e a manutenção do diálogo" entre as diferentes frentes partidárias, visando a estabilidade administrativa de um estado que atravessa nova fase de intervenções judiciais.
A Mesa Diretora da ALERJ, com a exceção da presidência e do retorno do deputado Dr. Deodalto (PL) à 2ª Secretaria, permanece com a composição estabelecida no início da legislatura, mantendo nomes como Tia Ju (Republicanos) e Zeidan (PT) nos cargos de vice-presidência.
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