Luta Antimanicomial na Zona Oeste: Ato mobiliza Santa Cruz

Movimento social e profissionais de saúde mental ocupam a Praça Marquês de Herval em defesa do cuidado em liberdade e dos direitos humanos

Cartaz em formato paisagem sobre o Ato da Luta Antimanicomial da Zona Oeste na Praça Marquês de Herval, em Santa Cruz, Rio de Janeiro. O design de fundo claro traz elementos coloridos em roxo, verde e laranja, ilustrações de um megafone, corações, e uma grande foto na parte inferior mostrando o coletivo de profissionais da saúde mental e usuários do CAPS reunidos na praça pública.
Mobilização organizada pela RAPS e pelo Fórum de Arte e Cultura da Zona Oeste acontece na próxima terça-feira (26), na Praça Marquês de Herval. (Foto: Divulgação)

O fortalecimento da rede de assistência psiquiátrica humanizada ganha um novo capítulo no Rio de Janeiro. A Luta Antimanicomial na Zona Oeste será tema de uma grande mobilização social no próximo dia 26 de maio, a partir das 13h, na Praça Marquês de Herval, localizada no bairro de Santa Cruz. O evento é organizado pelo Fórum de Geração de Renda, Arte e Cultura da Zona Oeste em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), reunindo profissionais, usuários do sistema de saúde e coletivos culturais.

A manifestação tem como objetivo central reafirmar as diretrizes da Reforma Psiquiátrica brasileira, combatendo estruturas de isolamento e defendendo o tratamento em liberdade. Historicamente negligenciada, a periferia carioca assume o protagonismo na discussão sobre o acolhimento digno. A escolha de Santa Cruz reflete a necessidade de descentralização das ações políticas e culturais na capital fluminense, aproximando o debate das comunidades mais vulneráveis.

Mobilização e Resistência Comunitária

O ato político e cultural foi planejado como um desdobramento das celebrações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado anualmente em 18 de maio. Manifestações artísticas, rodas de conversa e oficinas de geração de renda serão realizadas durante toda a tarde por trabalhadores da saúde e usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O lema "a vida se faz na diferença e não na desigualdade" foi adotado para guiar as intervenções urbanas.

RAPS RJ tem apontado que o desmonte de leitos asilares deve ser acompanhado pela expansão de serviços comunitários territoriais. Por meio da ocupação de espaços públicos, busca-se sensibilizar a população local sobre o respeito à singularidade dos indivíduos em sofrimento psíquico. A exclusão social é apontada pelos organizadores como um fator que agrava o adoecimento mental coletivo no ambiente urbano.

O Papel da Cultura no Cuidado em Liberdade

A integração entre arte e clínica é defendida como ferramenta essencial para a reinserção social. O Fórum de Geração de Renda, Arte e Cultura da Zona Oeste destaca que oficinas de artesanato, música e teatro desempenham um papel terapêutico fundamental. Esses projetos oferecem autonomia financeira e resgatam a cidadania de pessoas que antes eram marginalizadas pelo sistema manicomial tradicional.

Políticas de Saúde Mental Coletiva são apontadas por especialistas como o caminho viável para a sustentabilidade da reforma de saúde. O apoio da comunidade local em Santa Cruz Zoneamento é considerado estratégico para consolidar essas redes de suporte. O evento pretende demonstrar de forma prática que o cuidado baseado no afeto e na liberdade produz resultados mais eficazes do que o isolamento institucionalizado.

Desafios das Políticas Públicas na Periferia

O financiamento contínuo para os CAPS e residências terapêuticas permanece como uma das principais reivindicações do movimento. Direitos fundamentais e o cumprimento de Políticas Públicas de Saúde estruturadas são cobrados por gestores e militantes da causa. A manifestação na Praça Marquês de Herval serve, portanto, como um canal de denúncia contra o subfinanciamento e a precarização das equipes técnicas que atuam na ponta do sistema de saúde.

Com palavras de ordem como "Nenhum passo atrás" e "Prosseguiremos", o encerramento do ato contará com uma assembleia aberta na praça. Espera-se que um documento com propostas de melhorias para a saúde mental regional seja elaborado e encaminhado às autoridades municipais, consolidando a importância histórica da Luta Antimanicomial na Zona Oeste para o cenário político carioca.

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