Município planeja testar bilhetagem 100% digital em linhas que partem de Deodoro e do Terminal Gentileza
O fim do uso de dinheiro em ônibus municipais começará a ser testado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em linhas específicas que operam em grandes integradores de transporte da cidade. O projeto-piloto, que está sendo estruturado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), pretende vetar o pagamento em cédulas e moedas diretamente aos motoristas nas linhas que partem do Terminal Intermodal Gentileza, na Zona Portuária, e do Terminal de Deodoro, na Zona Oeste. A medida tem como objetivo principal agilizar o embarque de passageiros, otimizar o tempo de viagem e aumentar a segurança de usuários e rodoviários com a redução de valores em espécie circulando nos coletivos.
Transição para o sistema digital e operação dos testes
O modelo desenhado pela administração municipal prevê que o acesso aos ônibus participantes do teste seja realizado exclusivamente por meio de cartões de transporte, como o Riocard Mais e o Jaé — o novo sistema de bilhetagem eletrônica do município —, ou por tecnologias de pagamento por aproximação (NFC) via cartões de crédito, débito e carteiras digitais em celulares.
Para que a transição não penalize os usuários que não possuem os dispositivos eletrônicos, estruturas de atendimento e pontos de venda automática serão reforçados nos terminais de Deodoro e Gentileza. Nesses locais, os passageiros poderão comprar cartões pré-pagos ou recarregar seus saldos utilizando dinheiro físico antes de acessarem as plataformas de embarque.
A escolha dos terminais Gentileza e Deodoro para o início dos testes foi estratégica. Por se tratarem de ambientes controlados e integrados com outros modais — como o BRT, o VLT e os trens da SuperVia —, a prefeitura avalia que o fluxo de passageiros nesses locais já possui maior familiaridade com os meios de pagamento eletrônicos. Se os resultados técnicos e a aprovação dos usuários atingirem as metas estabelecidas, o plano prevê a expansão gradativa da proibição do dinheiro em ônibus para outras linhas da capital fluminense.
Debates sobre acessibilidade e dupla função
Embora a modernização do sistema seja defendida para dar maior fluidez ao trânsito e reduzir o tempo de parada nos pontos, o fim do dinheiro em ônibus levanta discussões importantes entre especialistas em mobilidade urbana e órgãos de defesa do consumidor. O principal ponto de atenção reside na inclusão social, uma vez que parcelas da população de baixa renda ou trabalhadores informais ainda dependem do papel-moeda no seu dia a dia e enfrentam dificuldades de bancarização.
Outro fator debatido envolve a rotina dos motoristas. Desde a extinção progressiva da função de cobrador no sistema de ônibus do Rio de Janeiro, os condutores passaram a acumular a responsabilidade de receber as passagens e dar o troco. Os sindicatos da categoria apontam que o fim do manuseio de valores pode diminuir o estresse operacional e os riscos de assaltos, permitindo que a atenção do profissional fique totalmente concentrada na direção do veículo.
Cronograma e próximos passos
O plano de testes segue em fase de modelagem técnica pela SMTR, que realiza o mapeamento exato de quais linhas troncais e alimentadoras iniciarão o processo nos terminais. Campanhas informativas massivas nos canais oficiais e nos próprios terminais rodoviários serão implementadas semanas antes do início efetivo da operação para orientar a população sobre as novas dinâmicas de embarque.
Caso o projeto-piloto comprove a viabilidade da operação sem dinheiro em espécie, o Rio de Janeiro se alinhará a outras capitais brasileiras e grandes metrópoles globais que já aboliram o pagamento físico a bordo para acelerar os sistemas de tráfego urbano e modernizar a infraestrutura de transporte público.