Yalorixá e marido são indiciados por incêndio que resultou na morte de frequentadora em Realengo
O caso de homicídio culposo no candomblé teve seu inquérito concluído pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A yalorixá Thayane Alves de Maria e seu marido, Gabriel da Mota Pimentel Dalia, responsáveis por um terreiro de candomblé, foram indiciados pela 33ª DP (Realengo). A decisão foi tomada após as investigações apontarem negligência e imprudência durante um ritual religioso que terminou em um incêndio fatal na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro.
O Incêndio no barracão e a causa da morte
De acordo com o relatório final do delegado Alessandro Petralanda, o incidente foi provocado durante uma cerimônia religiosa realizada no interior do barracão. Foi constatado que uma substância de alta inflamabilidade foi utilizada em um recipiente que já continha material combustível e uma fonte de ignição ativa. A combinação dos elementos gerou uma explosão e o subsequente incêndio, que atingiu gravemente a frequentadora Caroline Pinto dos Santos.
A vítima sofreu queimaduras severas por todo o corpo e foi socorrida às pressas. Caroline Pinto dos Santos permaneceu internada por mais de 20 dias no Hospital Municipal Pedro II, localizado em Santa Cruz, mas não resistiu às complicações dos ferimentos e faleceu no dia 9 de julho. O laudo oficial do Instituto Médico-Legal (IML) confirmou que o óbito foi decorrente direto das graves queimaduras provocadas pelo fogo.
Tentativa de ocultação de provas
Além do indiciamento por homicídio culposo no candomblé, a investigação policial revelou que a yalorixá Thayane Alves de Maria tentou intervir nas apurações do caso. Segundo os depoimentos colhidos pelos agentes da 33ª DP, integrantes do terreiro foram orientados pela líder espiritual a apagar fotos, vídeos e mensagens de aplicativos que estivessem relacionados ao ocorrido na data do evento.
A denúncia de obstrução foi sustentada pelo depoimento de uma testemunha-chave, que confirmou a tentativa de eliminação das mídias digitais que funcionariam como provas periciais. Os telefones e registros foram analisados, e o comportamento foi considerado pela autoridade policial como uma tentativa deliberada de dificultar o trabalho da Justiça.
Desdobramentos jurídicos em Realengo
O terreiro onde o fato aconteceu localiza-se no bairro de Realengo, na Zona Oeste da capital fluminense. O espaço foi periciado pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que coletou resíduos das substâncias utilizadas para determinar a exata dinâmica do fogo.
Com a conclusão do inquérito por parte da Polícia Civil, os autos foram formalmente encaminhados ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O casal agora permanece à disposição do Poder Judiciário, que decidirá pelo oferecimento da denúncia formalizada e o início do processo criminal na comarca da capital.