Carregando...

O dia seguinte ao julgamento do STF: quando a Justiça perde a confiança do cidadã

A sessão que everia reafirmar a força das instituições terminou expondo suas fragilidades e o mundo voltou os olhos para Brasília 

O Brasil amanheceu nesta quarta-feira (16) diante de uma pergunta incômoda: o que está acontecendo com o Supremo Tribunal Federal?

O julgamento realizado na terça-feira (15) deveria representar mais um momento de defesa da democracia, da transparência e do Estado de Direito. No entanto, o que milhões de brasileiros acompanharam foi uma Corte dividida, marcada por confrontos públicos, acusações entre ministros e uma profunda exposição de suas próprias fragilidades institucionais.

O episódio envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, relacionado às investigações do caso Banco Master, terminou sem uma decisão definitiva. O pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise, enquanto o placar parcial revelou a divisão interna do tribunal.

Mas talvez o mais grave não esteja apenas no resultado inconclusivo. Está na imagem deixada para a sociedade.

A repercussão internacional foi imediata. Veículos como Reuters, The Guardian, Washington Post, El País, Associated Press e Clarín destacaram o caráter inédito da crise e os conflitos dentro da mais alta Corte brasileira.

A imprensa estrangeira descreveu o momento como uma "crise sem precedentes" e chamou atenção para o fato de ministros do próprio Supremo protagonizarem confrontos públicos justamente em um período de intensa polarização política no país.

Quando uma instituição responsável por garantir a estabilidade democrática passa a ocupar as manchetes internacionais não por suas decisões jurídicas, mas por suas disputas internas, é inevitável que surjam questionamentos.

Não se trata de defender este ou aquele ministro. Tampouco de transformar o episódio em uma disputa ideológica. Trata-se de algo maior: a credibilidade de uma instituição que deveria estar acima das paixões políticas.

A ministra Cármen Lúcia expressou publicamente sua tristeza e consternação diante do que ocorreu. Sua reação simbolizou o sentimento de muitos brasileiros que assistiram à sessão: perplexidade.

O cidadão comum não espera perfeição dos ministros. Espera, no mínimo, equilíbrio, respeito institucional e compromisso com a transparência.

O Supremo Tribunal Federal não pode parecer uma arena de disputas pessoais. Não pode transmitir a impressão de que decisões importantes dependem de alianças internas, embates ou estratégias políticas.

A Justiça precisa convencer pela força dos argumentos, não pelo volume das acusações.

O problema mais preocupante talvez seja o sentimento que permanece depois que as câmeras são desligadas.

A descrença.

Descrença nas instituições. Descrença na imparcialidade. Descrença na capacidade de o sistema produzir respostas claras para a sociedade.

E quando a população começa a desacreditar das instituições, a democracia inteira se torna mais vulnerável.

É preciso reconhecer que o Supremo tem papel fundamental na defesa da Constituição brasileira. Justamente por isso, seus integrantes precisam compreender a dimensão de suas responsabilidades públicas.

O Brasil não precisa de mais espetáculo institucional. Precisa de respostas.

Não precisa de ministros transformados em protagonistas de uma guerra política. Precisa de magistrados capazes de demonstrar serenidade, independência e respeito aos limites da função que exercem.

O julgamento de ontem não deveria ser lembrado apenas pelos votos ou pelo pedido de vista. Deveria servir como um alerta.

Instituições democráticas não sobrevivem apenas de discursos sobre democracia. Elas sobrevivem quando demonstram, na prática, que são capazes de se autocorrigir, respeitar suas regras e prestar contas à sociedade.

O Supremo Tribunal Federal tem uma responsabilidade histórica. E essa responsabilidade não pertence a um ministro, a um grupo político ou a uma ideologia.

Pertence ao Brasil.

No dia seguinte ao julgamento, fica uma sensação difícil de ignorar: enquanto o país observa, o mundo também observa. E a pergunta que permanece não é apenas quem venceu ou quem perdeu dentro daquela sala.

É se as instituições brasileiras ainda conseguem recuperar a confiança de quem deveria ser sua principal razão de existir: o cidadão.

Bacharel em  Jornalismo Estudante de Letras
Voltar

Postar um comentário

Sua opinião sobre o assunto e seus comentários são importantes para o aperfeiçoamento de nosso trabalho e a perfeita visão do que acontece em nossa Zona Oeste.

Postagem Anterior Próxima Postagem
Acesse o portal Zona de Defesa

📩 Receba as notícias do Visão Oeste Rio

Assinar agora

Formulário de contato